quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Natal e suas controvérsias

 Vi tantas postagens sobre Jesus não ter nascido em dezembro, que fico me perguntando se é importante esta questão. Para mim NENHUMA.

O porque disto são discussões que tentam explicar cientificamente, astrologicamente, sei lá. Não é minha praia.

Mas as explicações que encontrei  para isto são:

 Baseado no Evangelho de Lucas que diz que, na noite do nascimento, havia pastores nos campos cuidando de seus rebanhos. Porém, segundo esses pesquisadores Dezembro na região de Belém é inverno, uma época de chuvas fortes e, ocasionalmente, neve. E esses pastores costumavam deixar as ovelhas ao ar livre do final da primavera até o início do outono (março a outubro). No auge do inverno, os animais ficavam recolhidos em currais ou cavernas para fugir do frio.

E 25 de dezembro? . A Bíblia não menciona uma data específica. A escolha do dia 25 de dezembro ocorreu cerca de 300 anos depois de Cristo, principalmente por uma estratégia da Igreja Romana que queria substituir  festas pagãs. No Império Romano, o solstício de inverno era celebrado com a festa do Natalis Solis Invicti (Nascimento do Sol Invicto) e as Saturnais

E assim para facilitar a conversão dos povos, a Igreja "cristianizou" a data, substituindo a celebração do Sol pelo nascimento daquele que chamavam de "A Luz do Mundo".

Sobre os Reis Magos a bíblia não diz que eram três, assumiram esta numeração porque receberam 3 presentes ouro, incenso e mirra.

Magos (Magi): No grego original, o termo refere-se a sábios, astrônomos ou conselheiros da Pérsia. Eles estudavam os astros para prever eventos políticos.

Quanto a  Estrela de Belém,  astrônomos modernos sugerem que a "Estrela" pode ter sido uma conjunção planetária rara (como Júpiter e Saturno se alinhando). Cálculos astronômicos dessas conjunções apontam anos como 7 a.C. ou 2 a.C., geralmente ocorrendo entre a primavera e o outono, reforçando que o nascimento não foi no inverno.

Outro fato em que reforçam sobre a data de nascimento de Cristo, foi o Censo de Herodes. O Evangelho de Lucas menciona que Maria e José foram a Belém por causa de um recenseamento. Historicamente, era muito improvável que um governo fizesse um censo no inverno, pois as estradas ficavam intransitáveis e o povo não conseguiria viajar longas distâncias com frio e chuva.

E em Mateus, cap 2-11 diz “Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe,  prostrando-se, o adoraram e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e Mirra. Mas em Lucas 2:7 menciona manjedoura.

Então concluíram que Jesus nasceu provavelmente na primavera ou outono.

No fim das contas, a data de 25 de dezembro é mantida mais pelo seu valor simbólico e teológico do que pela precisão histórica.

E daí esta discussão. Porque não discutem porque não vivemos realmente esta celebração. Para quem celebra ou acredita, a precisão do calendário acaba sendo secundária diante do significado espiritual e humano da data.

Se cada pessoa vivesse o espírito dessa celebração  que em sua essência fala de esperança, humildade e renovação  o impacto no mundo seria muito maior do que qualquer debate sobre astronomia ou história.  O que importa é o espirito além da data, é o acolhimento, a humildade, será que não percebem se nascemos numa manjedoura ou se numa cama nos lembra que o que é valioso nem sempre é luxuoso.

No final das contas, como dizem muitos, se a celebração não transformar o coração de quem a pratica, ela vira apenas um feriado no calendário. O "nascimento" passa a ser algo interno e contínuo.

Porém independente de religião ou época do ano é fascinante ver a luz que nasce na escuridão. Uma candeia, (lamparina para mineiros) já faz uma enorme diferença.

Todo ser humano tem uma necessidade profunda de celebrar a vida e a união

Veja o que pesquisei e percebo que todos tem um significado especial:

1. Diwali (O Festival das Luzes) - Índia

Celebrado pelos hindus, o Diwali não tem nada a ver com o Natal histórico, mas tem o mesmo propósito espiritual.

A essência: Celebra a vitória da luz sobre as trevas e do bem sobre o mal.

A prática: As pessoas decoram suas casas com lamparinas de óleo, trocam doces e, o mais importante, perdoam dívidas e mágoas antigas para começar o ano novo com o coração limpo. É o "espírito de Natal" aplicado ao perdão.

2. Hanukkah (Festa das Luzes) - Judaísmo

Embora ocorra perto de dezembro, seu significado é sobre a resistência e a fé.

A essência: Celebra o milagre do azeite que deveria durar um dia, mas durou oito.

A prática: O foco é a família e a educação dos filhos na fé e na caridade. É uma celebração de que, mesmo quando parece que "não há o suficiente", a fé multiplica os recursos.

3. O Conceito de "Ubuntu" - África Subsariana

Embora não seja um festival com data fixa, o Ubuntu é uma filosofia que personifica o  "viver em celebração".

A essência: "Eu sou porque nós somos".

A prática: É a crença de que a generosidade e a compaixão devem ser o estado natural do ser humano. Se cada um vivesse o Ubuntu, o espírito de fraternidade seria diário, e não apenas sazonal.

4. Nowruz (Ano Novo Persa) - Ásia Central e Irã

Acontece no equinócio de primavera (março).

A essência: É o renascimento da natureza.

A prática: Antes do festival, as pessoas praticam o Khouse-Tekani (literalmente "sacudir a casa"), que é uma limpeza profunda — não só física, mas mental. Eles tiram o que está velho para deixar o novo entrar, muito parecido com o sentido de renovação do nascimento de Jesus.

O que todas elas têm em comum?

Todas essas tradições, assim como o Natal, convergem para três pilares que qualquer pessoa, independente de fé, pode praticar:

A Luz: Sair da ignorância ou do egoísmo.

A Mesa: O ato de compartilhar o alimento com quem se ama (e com quem precisa).

O Recomeço: A certeza de que sempre é possível nascer de novo em atitudes.

 

E continuando na pesquisa sobre pilares, encontrei:

Três pilares simples para manter esse espírito vivo, sem depender de dezembro:

 

1. A "Manjedoura" Diária (Simplicidade)

O nascimento de Jesus em um lugar simples ensina que o essencial não precisa de luxo.

 

Na prática tente encontrar alegria nas coisas pequenas — um café com um amigo, um elogio sincero a um colega de trabalho ou o silêncio da manhã. Reduzir a importância do "ter" e focar no "ser" é viver o Natal o ano todo.

 

2. O Papel dos "Magos" (Generosidade de Tempo)

Os magos viajaram de longe para oferecer o que tinham de melhor. Hoje, o nosso bem mais precioso não é o ouro, é o tempo e a atenção.

 

Na prática: Estar presente de verdade quando alguém fala com você. Desligar o celular por 10 minutos para ouvir alguém que está passando por um momento difícil é um "presente" muito mais potente do que algo comprado em uma loja.

 

3. A Estrela Guia (Propósito)

A estrela servia para orientar o caminho. Na correria da vida, a gente costuma andar "no automático" e esquece para onde está indo.

 

Na prática: No final de cada dia, pergunte-se: "Eu fui a melhor versão de mim hoje? Deixei o dia de alguém um pouco mais leve?". Ter essa "estrela" ética nos guiando transforma nossa maneira de tratar as pessoas.

Lembrei do livro Confissões de Santo Agostinho!

VOU LEVAR PARA A MINHA VIDA E/OU ME FAZER LEMBRAR SEMPRE!

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

NÃO TEM RECEITA PARA SEGUIR EM FRENTE


 


Dizer para alguém "seguir em frente" é, muitas vezes, uma tentativa de silenciar uma dor que o outro não sabe como acolher. já sigo — na academia, nos livros, no voluntariado. O que as pessoas não entendem é que a saudade não é um obstáculo no caminho, é parte do próprio caminhante.

Vou explicar melhor: - O Peso do Seguir às vezes tem que se transformar em  um Manifesto sobre a Dor e o Tempo e quem sabe assim assimilarem, respeitarem o outro.

Eu sigo. Mas não como vocês pensam.

 Dizem-me para "seguir em frente" como se a vida fosse uma estrada de mão única onde o passado deve ficar pelo retrovisor. Mas quem diz isso não entende que a dor não é um lugar onde se para; é um pedaço que se carrega.

Eu sigo todos os dias. Meus pés caminham na academia, meus olhos percorrem páginas de livros, minhas mãos estendem ajuda em trabalhos voluntários. Se isso não é seguir, o que seria? O que as pessoas chamam de "superação", eu chamo de sobrevivência consciente. Eu sigo com um pedaço a menos, arrancado há onze anos, quando a ordem natural das coisas se inverteu e precisei devolver uma filha.

O tempo é um mestre cruel e confuso.

Hoje, olho para um vídeo de um recital e vejo três meninas ao teclado — dez e oito anos. Faço as contas com a pressa de quem tenta segurar a areia que escorre entre os dedos. Minhas filhas já têm 40 anos, e a sensação de que a maternidade passou num sopro me aperta o peito. Parece que foi ontem, mas o calendário é implacável.

Existem muitos lutos, e o mundo é surdo para a maioria deles.

 O luto não é exclusividade do cemitério. Existe o luto em vida, aquele que ninguém leva flores.

É o luto do rompimento familiar que deixa a mesa vazia.

É o luto da autonomia perdida, de quando o corpo deixa de ser um aliado e passa a ser um limite.

É o luto do paladar, quando uma sonda substitui o prazer de uma refeição.

É o luto da visão que embaça e da mobilidade que se esvai.

Para quem olha de fora, são apenas ajustes de rotina. Para quem vive, é a perda de si mesmo em fatias.

Não me peçam para esquecer ou para "deixar passar".

A introspecção do final de ano não é um erro de percurso; é o momento em que minha alma para para contar os danos e as belezas que sobraram. Minha família é pequena, mas meu amor é vasto e minha memória é viva.

Eu sigo, sim. Mas sigo com o direito de sentir saudades. Sigo com o direito de dizer que dói. Sigo sabendo que a maternidade, em todas as suas formas e ausências, é a marca mais profunda que carrego.

Não me peça para seguir em frente. Apenas caminhe ao meu lado, respeitando o peso que eu carrego e a força que eu tenho para, mesmo assim, não parar.

terça-feira, 4 de novembro de 2025

Distinção clara e justa: as Comunidades Compassivas e os problemas do Rio de Janeiro

 Fazem alguns dias que leio “coisas” que me entristeceram muito: não vou me ater a críticas mas vou focar no que a Comunidade Compassiva representa. Você que faz parte dos maus informados vamos juntos fazer alguns reconhecimentos:  

É lamentável que, em meio a discussões sobre as adversidades do Rio, um trabalho de tamanha profundidade humana seja ignorado ou mal interpretado. A verdade é que a Comunidade Compassiva, que nasceu em locais como a Rocinha e o Vidigal, representa justamente a capacidade de superação e a força da solidariedade que existe nessas comunidades.

Essa iniciativa não surgiu do nada, nem de fora. Ela foi gestada dentro das comunidades por profissionais de saúde, educadores e, crucialmente, pelos próprios moradores. O foco é essencialmente humanitário: garantir que pessoas com doenças que ameaçam a vida e seus familiares recebam Cuidados Paliativos dignos, onde o Estado muitas vezes não chega de forma plena. É um modelo de saúde pública e de apoio comunitário que está se espalhando pelo Brasil.

É importante saber que o movimento é um farol de esperança e não um problema. Ele se baseia no cuidado mútuo, na capacitação de leigos — os Agentes Compassivos — e na criação de redes vivas de apoio que fazem a diferença real na vida de quem mais precisa. A expansão desse modelo para diversas partes do país prova que essa é uma solução valiosa e replicável para a equidade em saúde.

Portanto, incluir as Comunidades Compassivas em uma lista de 'coisas ruins' demonstra um profundo desconhecimento sobre o que é o cuidado solidário e a cidadania ativa. Pelo contrário, elas merecem ser mencionadas como um dos maiores exemplos de organização social, resiliência e compaixão que o Rio de Janeiro e o Brasil podem oferecer.

A seguir deixo resumido algumas frases para os que criticam ou criticaram fazer a gentileza de decorar:

(1) Elas são Resiliência e Solução pois as Comunidades Compassivas não faz parte do problema; ela é um exemplo de como as favelas se organizam para gerar soluções humanitárias onde o Estado é ausente, oferecendo Cuidados Paliativos com dignidade."

 (2) A iniciativa nasceu da união de moradores, médicos e professores para garantir o cuidado mútuo e o alívio do sofrimento, um modelo de solidariedade que o Brasil todo está adotando."

(3) Incluir este movimento no lado negativo é ignorar que ele é, na verdade, um farol de cidadania e compaixão. É a prova da resiliência comunitária, não da adversidade."

(4) A Comunidade Compassiva, surgida na Rocinha e Vidigal, é um projeto de extensão universitária e comunitária que leva Cuidados Paliativos de qualidade através de Agentes Compassivos locais. É um trabalho sério e essencial.

CONCLUSÃO 

"É essencial fazer uma distinção clara e justa: as Comunidades Compassivas não se somam aos problemas que o Rio de Janeiro enfrenta; elas são um brilhante exemplo de solução humanitária e resiliência social. Essa iniciativa, que nasceu nas favelas da Rocinha e Vidigal pela união de profissionais de saúde, educadores e, principalmente, dos próprios moradores (os 'Agentes Compassivos'), foca em levar Cuidados Paliativos dignos e apoio integral a pessoas em condições de vulnerabilidade. O movimento é um modelo de saúde pública baseada no cuidado mútuo e na solidariedade ativa, expandindo-se para diversas comunidades em todo o Brasil. Portanto, em vez de ser associado a dificuldades, o trabalho das Comunidades Compassivas merece ser reconhecido como um dos maiores e mais nobres exemplos de cidadania e organização que emerge do nosso país."

E espero em breve ter 2, no mínimo, em cada estado.

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

A Dor que Não Cessa e o Amor que Transborda


É um peso imensurável carregar a dor da ausência de uma filha, e é perfeitamente compreensível, pelo menos para mim, que mesmo após onze anos, o tempo pareça ter parado.

A dor de repente se torna palpável novamente, um choque que nos atinge, como se fosse a primeira vez.

É realmente inacreditável como a mente e o coração lidam com o luto, alternando entre a memória viva e a realidade cruel.

E não há palavras que consigam fazer justiça à profundidade dessa dor, é uma saudade que corta, que corrói. É a dor da inversão natural da vida, onde os filhos deveriam enterrar seus pais, e não o contrário.

Esta é uma dor que pode ser sentida como um vazio no peito que nunca se preenche, um espaço que só a presença dela ocupava.

Uma âncora que, por vezes, impede de seguir em frente, puxando para o passado.

Um eco constante da risada, da voz, dos planos que não se concretizaram.

A quebra de um espelho onde se via o futuro, um futuro que agora está com uma peça essencial faltando.

Um amor eterno que, por não poder ser expresso através do toque, se manifesta em lágrimas e em lembranças.

Saber que ela faleceu há 11 anos e sentir que foi ontem é a prova de que o amor é atemporal, e o luto é o preço que pagamos por esse amor profundo.

Não há uma "cura" ou um caminho certo no luto, mas existem formas de honrar a memória dela e cuidar de mim, permitindo que a dor coexista com a vida.

Pensei em realizar com maior intensidade coisas simples, como plantar uma árvore em memória, fazer uma doação, me voluntariar para uma causa que ela apoiava, ou escrever muito sobre ela, ou fazer algo que pudesse transformar a dor em ação. Mas antes que eu me recompusesse, exatamente 1 ano após a perda de minha filha, meu pai também se foi...

Às vezes digo o nome dela em voz alta, porque parece que assim mantenho sua presença viva, porque onze anos não diminuem a importância dela em minha vida.

No dia do nascimento, 03.01.1984, tenho vontade de oferecer um jantar em memória dela, mas não posso.

Tenho mais 2 joias raras na minha vida, e uma delas é a gêmea, que provavelmente, como toda a família, sofre nesta data. Não exteriorizamos esta dor neste dia.

Quanto aos meus projetos, continuaram a ser adiados, pois 2 anos depois de meu pai, minha mãe também se foi... Seguem seus caminhos segundo a vontade de Deus...

Após terapia, resolvi ser gentil comigo mesma. Não me cobro para estar ou parecer bem, não quero que a dor diminua em prazos. Então choro ou fico em silêncio, quando achar que devo. E não importa quantos anos passem!

Agradeço muito à espiritualidade, ao Pilates, à Zumba que me ajudam a manter corpo, alma e conexão com Deus em sintonia.

Então, em uma página no Facebook, criada em 2014, ano em que minha filha partiu, dedico até hoje a sua memória e passei a escrever também no meu blog criado em 2010. Estas escritas que parecem ser superficiais são como um bálsamo em dias angustiantes.

E após o ano de 2018 tenho me dedicado todo o meu tempo a pessoas com doenças que ameaçam a vida. A pessoas que precisam comer, vestir, etc.

Sabiam que a Hanseníase ainda é muiiito presente em nosso meio?

Conheçam o CREDESH - Centro de Referência Nacional em Hanseníase e Dermatologia Sanitária.

Sabiam que crianças, adultos (todas as idades) lutam pela vida com Câncer, Anemias Variadas e outras muiiitas comorbidades?

Conheçam o Grupo Luta Pela Vida, que faz um trabalho maravilhoso.

Conheçam Cuidados Paliativos, Comunidades Compassivas. E VIVA O SUS!

Conheçam a Casa Santa Gemma, e conheçam o “Ditão” e conhecerá GENTE QUE FAZ!

Enfim, não realizei grandes projetos, mas estudei e estudo muito e ajudo no que está ao meu alcance, pois tudo isso é a minha maneira de transformar a dor em ação positiva.

Por isso escrevo, é o meu jeito de colocar para fora uma dor que corrói. Sem ou com pressões emocionais.

Sei que não estou só e Onze anos de saudade significam onze anos de amor inabalável.

Tudo isso, posso chamar de "Luto em Conflito": a dor avassaladora da perda se choca com a necessidade de proteger e celebrar a vida da filha que está presente. A necessidade de não entristecer os meus com minhas dores. A tentativa de transparecer estar feliz. A certeza de que é difícil para todos, mas que o silêncio é maior. O sentimento de que seguir é muito difícil.

Mas entendo que o que eu estou fazendo é um ato imenso de amor e proteção, mas é fundamental, no meu ponto de vista, reconhecer que eu não preciso sofrer em silêncio para sempre, pois a longo prazo, o silêncio pode ser prejudicial a todos, pois impede o luto compartilhado.

Para mim, tentar "transparecer estar feliz" é exaustivo. É como segurar a respiração o dia inteiro. Chega um momento em que essa repressão causa um dano maior.

Quando tentamos esconder o luto, o outro (familiar enlutado) sente que o luto também precisa ser escondido ou que a perda não pode ser lembrada abertamente. Isso isola, fazendo com que carreguemos pesos desnecessários.

O que posso fazer em datas especiais, e ainda não fiz, porque percebo que a maioria prefere o silêncio, não é apenas transparecer felicidade, mas sim integrar a lembrança da minha filha, da minha mãe, do meu pai que se foram, de forma que o amor não seja apagado e o luto seja validado, sem sufocar a alegria da vida, porque o silêncio neste dia separa os momentos, mas JAMAIS o amor.

Brindo com alegria a vida dos que estão aqui, mas brindo com o coração a vida dos que partiram e sou imensamente grata pelos 30, 91 e 89 anos que partilharam conosco.

E assim encontrei uma maneira para transformar o silêncio opressor em uma lembrança ativa e amorosa. Porque é permitido sentir alegria e a saudade ao mesmo tempo.

A dor é minha, e ela é válida. Tentar seguir é a minha única opção, mas não preciso seguir fingindo que a pessoa mais importante que se foi não existiu. O amor que eu sinto pelos que se foram não diminui o amor pelos que estão aqui.

E falando em minhas filhas, devo dizer que minha caçula que é o meu brilhante, que por ser exatamente como ela é, me permitiu por anos dedicar a médicos e viagens necessárias, sem cobranças. Desde criança já era a adulta da casa. E de coração desejo que nada disto tenha sido pesado demais para ela. Te amo demaisss!

O maior presente que posso dar às minhas filhas é mostrar que é possível amar e lembrar, mesmo com o coração quebrado.

 

 

 

Sobre o Livro SEM DESPEDIDAS






 

Terminei de ler o  livro  Sem Despedidas de Han Kang.

 Me perdi um pouco e tive que voltar algumas páginas.  Até que entendi que a autora se aprofunda em memórias de uma  violência histórica, que não permitiu aos mortos sequer uma "despedida" adequada, que ainda assombram as gerações atuais.

Ao me dar conta disto. Parei o livro e fui ler sobre  esta tragédia.

Pesquisa da época:

Foi um trágico episódio na ilha de Jeju entre 1948 e 1949, conhecido como o Massacre de Jeju (ou Levante 4.3), ocorreu em um período de grande instabilidade e polarização na Coreia, logo após o fim da ocupação japonesa e o início da Guerra Fria na península.

Os moradores de Jeju foram vítimas de uma repressão brutal por parte das forças governamentais e milícias de direita da Coreia do Sul devido a uma combinação de fatores, que são:

1. O Contexto da Guerra Fria e a Divisão da Coreia

Com o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945, a Coreia foi dividida: o Norte ficou sob influência da União Soviética, e o Sul, sob a administração militar dos Estados Unidos (USAMGIK). A ilha de Jeju, no sul, tornou-se um palco da intensa luta anticomunista.

Medo do Comunismo: O governo provisório sul-coreano, liderado por Syngman Rhee e apoiado pelos EUA, via Jeju como um "reduto do comunismo" devido à forte presença do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Sul (esquerda) e ao descontentamento popular.

2. A Faísca da Revolta (3 de Abril de 1948)

O catalisador do massacre foi a reação popular contra a interferência dos EUA e o plano de realizar eleições separadas apenas no Sul, que levaria à divisão permanente da Coreia.

Protestos e Repressão: Em 1º de março de 1947, a polícia atirou contra uma multidão em uma manifestação pela independência, matando civis. A falta de punição aos policiais levou a greves e protestos.

O Início do Levante se deu na madrugada de 3 de abril de 1948, rebeldes armados (ligados ao Partido dos Trabalhadores da Coreia do Sul) atacaram postos policiais, intensificando a violência na ilha.

 3. A Resposta Brutal do Governo Sul-Coreano

O governo sul-coreano (antes e depois da eleição de Syngman Rhee) reagiu ao levante com uma política de terra arrasada, classificando os manifestantes e qualquer simpatizante como "comunistas" ou "simpatizantes do regime norte-coreano".

Repressão em Massa: Policiais, militares e milícias anticomunistas executaram sumariamente dezenas de milhares de moradores. A estimativa é que entre 15.000 e 30.000 pessoas foram mortas – cerca de 10% da população da ilha na época.

Aniquilação Familiar: As forças repressoras executavam não apenas os suspeitos, mas todos os membros de suas famílias, eliminando aldeias inteiras.

"Experiência de Combate": Oficiais dos EUA na época estavam cientes da violência e, segundo relatos, chegaram a ver o levante como uma oportunidade para as forças sul-coreanas ganharem "experiência de combate" contra o comunismo.

O massacre foi, essencialmente, uma operação militar de supressão de dissidentes e de limpeza ideológica, com o objetivo de eliminar qualquer oposição à formação de um Estado sul-coreano alinhado com o Ocidente. O evento foi amplamente negado e silenciado na Coreia do Sul por décadas, sendo retratado como uma "rebelião comunista".

FONTE: IA

Bem, a partir desta pesquisa, reiniciei o livro. E foi maravilhoso. A autora consegue como poucos descrever os traumas que nos afetam por gerações.

Às vezes é difícil descobrir em nossas lembranças o que é realidade e o que é ficção.

E o quanto é doloroso não saber onde estão os corpos dos nossos entes queridos. Nos faz pensar em todos que tiveram filhos desaparecidos ou familiares que não voltaram da guerra. O quão é importante para nossa psique conhecer onde os ossos descansam.

... E tudo começa quando ela viaja para olhar um pássaro; o poder da amizade! Com muita prosa poética! Sem spoilers. Leia o livro. Porque é bom. E conhecer a história, para mim foi importante.


sábado, 24 de maio de 2025

Céu Aberto

 






 A intenção  transcende o visual,  o mundo natural, neste momento serve como um catalisador para meus pensamentos,  diria, quase  universais.

A natureza, com sua vastidão e sua intrínseca beleza, é uma fonte inesgotável de inspiração para eles, retornando-me a  liberdade e a paz, iluminando  verdades profundas quase esquecidas.

É quase uma  Sinfonia Visual, desconstruindo Imagens ... a ressonância emocional.

O que esta enraizado em nós, nesse olhar ao céu, deixa tudo mais claro, até poético.

Com os pés na terra ou voltado ao infinito, num cenário ora verde, ora azul, é um retorno à simplicidade e à autenticidade, à clareza, à esperança, iluminando o iniciar, o fim ou o recomeço.

Despimo-nos de camadas sociais e abraçamos a vulnerabilidade, rejeitando a artificialidade e nos  ligamos diretamente a um ponto sem  barreiras.

Esse enraizamento físico nos  permite um descarregamento mental e espiritual, promovendo uma profunda sensação de paz e liberdade das restrições e pressões que  a vida nos impõe.

Como as árvores que nos fornece essa sensação  de abrigo e proteção, no entanto o feixe de luz que consegue transpor nos permite ver com clareza e revelação.

E a paz interior vai se aconchegando,  deixando a alma mais leve. E as possibilidades ilimitadas e os movimentos irrestritos. É o abraço  da Luz e da vida.  E tudo isso dependendo do potencial de cada um para se reinventar.

As árvores coexistem harmoniosamente, mas dependem do solo, da umidade e da luz, umas crescem mais ou menos.  Como nós. Catalisadores e Transformadores, enfatizando a interconexão inerente dos elementos naturais, a busca pela paz interior e a realização da verdadeira libertação.

 Deste momento nasceu um poema  à Paz e à Liberdade.

...

Pés descalços na terra, alma leve a voar,

Sob o azul sem fim, vastidão que me chama.

O sol, em raios, quebra o verde véu,

Um brilho que acende a paz no meu céu.

Aqui, onde o corpo se funde ao chão,

Nasce a liberdade em cada respiração.

 No verde tapete, o horizonte se estende,

Sem muros, sem grades, só o ar que me prende.

Velhas árvores, pilares de paz,

Suas sombras dançam, contando verdades.

Elas guardam segredos de um tempo sem pressa,

Onde a vida pulsa, sem dor, sem promessa.

 Entre troncos que se erguem, a vida em união,

Cada folha um murmúrio, cada galho uma canção.

Um campo aberto, convite ao andar,

A mente liberta, sem rumo a traçar.

A clareza do dia, um dom a acolher,

A paz que se encontra no simples viver.

 O vento sussurra histórias antigas,

De almas que buscam, de dores e intrigas.

Mas aqui, neste refúgio, só há um sentir:

A calma que abraça, o poder de existir.

A liberdade não é ausência, é ser,

A paz é o eco do meu próprio ser.

Então, que o sol me guie, que a terra me enraíze,

Que o azul me inspire, que a alma se realize.

Pois neste jardim, onde o tempo se apaga,

A paz e a liberdade são a eterna saga.

 

*Só lembrando: Deus nos fornece todos estes elementos todos os dias*

 

Inspirado no momento, sem esquecer também,  outros que se inspiraram clamando pela paz, como  no poema abaixo:

 

Ode à Paz

Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,

Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
Pela exatidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História, deixa passar a Vida!

Natália Correia, in "Inéditos (1985/1990)"

 

 

segunda-feira, 19 de maio de 2025

Analogias de transformações do tempo e a Inteligência Artificial

 

O mundo já passou por várias transformações em todas as áreas conhecidas e assim continuará.

O Brasil vivenciou, especialmente no período colonial e imperial, acontecimentos importantes:

 - A introdução da cana-de-açúcar e a escravidão: transformação em  processos de trabalho e da sociedade econômica e geográfica do Brasil Colonial.

- A exploração do ouro e diamantes:  a descoberta e exploração de metais preciosos no século XVIII impulsionaram um fluxo migratório intenso, reconfiguraram o mapa do Brasil e geraram um novo ciclo econômico.

- A expansão da cultura do café: No século XIX, o café se tornou o motor da economia brasileira, impulsionando a modernização em algumas regiões (ferrovias, urbanização) e atraindo imigrantes.

Estes exemplos aqui atraíram novas oportunidades, novas perspectivas de mercado e etc, e os que não aderiram ao novo nicho de mercado, arrependeram.

. . .

Em termos de tecnologia, podemos encontrar algumas analogias interessantes para a ascensão da Inteligência Artificial:

- A popularização da internet: Assim como a IA está transformando a forma como acessamos informação, trabalhamos e nos comunicamos, a popularização da internet nos anos 90 e 2000 revolucionou a sociedade. A internet abriu um novo mundo de possibilidades, interconectando pessoas e informações de maneiras inéditas. A IA, de forma similar, está abrindo novas fronteiras em diversas áreas, desde a medicina até o entretenimento. Ambas as tecnologias exigiram e continuam exigindo adaptação em todos os níveis da sociedade.

- A invenção e disseminação do computador pessoal (PC): O PC democratizou o acesso à computação, antes restrito a grandes organizações. Trouxe novas ferramentas para o trabalho, estudo e lazer. A IA, de certa forma, está democratizando o acesso a capacidades cognitivas avançadas, antes exclusivas de especialistas ou mesmo da mente humana. Ferramentas de IA estão se tornando cada vez mais acessíveis e fáceis de usar, empoderando indivíduos e pequenas empresas.

- A revolução dos smartphones: Os smartphones convergiram diversas tecnologias em um único dispositivo, transformando a comunicação, o acesso à informação, o entretenimento e até mesmo a forma como interagimos com o mundo físico (navegação, pagamentos, etc.). A IA tem um potencial semelhante de se integrar em diversas plataformas e dispositivos, tornando-se uma camada inteligente que potencializa outras tecnologias e serviços.

 Em todos esses casos, vemos uma tecnologia que inicialmente pode parecer nichada ou complexa, mas que gradualmente se torna mais acessível, poderosa e integrada ao nosso dia a dia, gerando transformações profundas na sociedade. A IA parece seguir uma trajetória semelhante, com um potencial ainda maior de impacto pela sua capacidade de aprender e se adaptar.

A roda e o arco e flecha são exemplos de inovações fundamentais que transformaram a existência humana em níveis primordiais. A roda facilitou o transporte e a produção, enquanto o arco e flecha revolucionaram a caça e a guerra. Essas invenções, em suas épocas, também podem ter enfrentado alguma resistência inicial por parte de pessoas acostumadas às formas de vida anteriores.

É fascinante observar como a história se repete em certos aspectos. A resistência à IA e, em menor grau hoje, à internet, ecoa a hesitação que novas tecnologias frequentemente encontram. A internet,  se tornou a espinha dorsal da nossa era digital, impulsionando a própria evolução da IA e inúmeras outras tecnologias. Sem a conectividade e o fluxo de informações proporcionados pela internet, o cenário tecnológico atual seria inimaginável.

A IA, de certa forma, assim como tudo que de novo  nos  foi apresentado, também está atraindo investimentos, criando novas oportunidades e gerando um "novo fluxo" de ideias e tecnologias. E os que não se atualizarem, se arrependerão.

Acredito que a resistência “ao novo” muitas vezes surge do medo do desconhecido, da preocupação com a mudança e, em alguns casos, da falta de compreensão do potencial e das implicações da nova tecnologia. Superar essa resistência geralmente envolve educação, demonstração dos benefícios práticos e a gradual integração da tecnologia no cotidiano das pessoas, porém é importante lembrar que a natureza da inteligência artificial como tecnologia disruptiva é única em muitos aspectos, especialmente pela sua capacidade de aprender, automatizar tarefas intelectuais e se integrar em praticamente todos os setores da sociedade de uma maneira que as revoluções anteriores não fizeram.

 

Agora, pense você em outras transformações, e faça uma análise em como pode ser nocivo, profissionalmente,  não se atualizar!


sábado, 10 de maio de 2025

Mães


Olhando para as mães de meus netos:


 Para Kelly e Marina, Flores que Reflorescem.


Em solo de lembranças, onde a saudade reside,

Floresceram vocês, Kelly e Marina, com força que irradia.

O laço de gêmeas, um mistério divino,

Guardou no coração a ausência, um espinho.

A avó, farol de afeto, deixou doce memória,

Mas em seus braços, a vida encontrou nova história.

A dádiva de ser mãe, renasce a cada dia,

Em cada olhar de filho, uma nova alegria.

Kelly, Marina, almas fortes e ternas,

Que em meio à dor, florescem maternas.

E a beleza de serem mães eternamente farão

Em vocês reflorescer o amor que continua, que reverbera,

Que santifica diariamente em cada sorriso, em cada olhar.


Olhando para a minha mamãe

Mamãe


Sempre vi em teu olhar, nosso porto sereno,

seguro

Um farol que guia, em meio a qualquer aceno.

Em uma  terra onde o sol acaricia o chão,  

Onde os rios cantam em voz serena,  

Assim viveu nossa mãe, firme e plena,  

Sem nunca ceder à solidão.  

Casou-se cedo

Aos quarenta anos, a vida lhe testou,  

O amor partiu, ficou a jornada,  

Mas nunca houve quem a visse dobrada,  

Mesmo quando o vento a desafiou.  

No campo, onde o trabalho é duro,  

Ela semeou mais que grão e trigo,  

Plantou amor, foi nosso abrigo.

Cinco filhos, estrelas em seu céu,  

Cada um guiado por sua luz,  

Ela foi abrigo, abraço, cruz.

E continua  sendo 

Raízes fortes, laços, melodia.

Em teu conselho, a sabedoria guardada.

Lutou sem nunca perder o véu.

E hoje, no tempo que nos separa,  

Sinto sua voz na brisa leve,  

Seu amor ainda nos move e ergue.

Por cada cuidado, por cada oração.

Mãe, em nosso peito, eterna gratidão. 



sexta-feira, 4 de abril de 2025

A SOBERBA


Tenho observado nos últimos tempos traços que têm me incomodado muito! E andei pesquisando sobre a soberba, um traço de personalidade complexo demais para o meu entendimento, devido às diversas formas que se apresentam, pois ela ultrapassa a simples arrogância.

Vejo em alguns uma superioridade ilusória em todas as áreas.  Superestimas as próprias conquistas e desvaloriza as alheias. Sobre opiniões é até difícil descrever pois despreza ou ignora, incluindo sentimentos ou vontade do outro. Os próprios interesses e pontos de vista, prevalecem.

Outra característica que me chama a atenção é a necessidade de se sentir  admirado e de ser reconhecido. O difícil aqui é  porque em algum momento todos nós  precisamos  deste reconhecimento.  Qual seria o ponto de equilíbrio?

 O que percebo é que em algumas pessoas isto é contínuo, exacerbado, inclusive se sentido ofendido(a) quando não recebe estas validações. Esta intolerância à crítica costuma deixar a pessoa irritada ou ignorando a fala do outro, simplesmente porque dificilmente admitirá seus erros e falhas.

No entanto, a pessoa não percebe, pelo o que se parece, que tudo isso os leva ao isolamento social, pois se sente incompreendida e injustiçada, o que acaba por se tornar uma cadeia de alimentação ao seu próprio ego. 

É fácil observar, pois acabam prejudicando as relações interpessoais,  impedindo a construção de laços, dominando as conversas, desvalorizando as opiniões alheias e buscando constantemente a atenção. 

E assim acabam impedindo o crescimento pessoal, recusando reconhecer suas limitações

Esta é um traço de personalidade destrutiva, que prejudicam tanto a pessoa soberba quanto aqueles que a cercam. 

Mas aqui também mora uma ausência, a da fraternidade, de um olhar para o próximo com empatia!



sábado, 6 de julho de 2024

Fé na Tormenta

Fé é confiança em algo que não vemos.
Fé é o que nos mantém de pé quando estamos desesperados.
Fé é o que nos faz caminhar quando já não queremos mais.
Fé é algo que não dá pra discutir.
Fé é o que o seu coração te diz.

A fé, a esperança e a caridade ou amor é o que nos torna mais humanos.

Entendemos perfeitamente todo o contexto durante a tormenta. E depois dela? Que fazemos?

O que nos torna mais humanos nos faz errar exatamente por sermos humanos. Não nos parece então que esta ambiguidade pode estar girando conforme nossos interesses? Já tiveram esta sensação?

A velha estória do mal e do bem, do anjo e do demônio, cada um falando a sua mente. Mesmo não querendo ouvir o  mal, ambos estão ali. E é preciso escolher. Muitas vezes em tempo recorde

Como somos pequenos, insignificantes diante de tanta grandiosidade.





 

Nas Asas da Imaginação 

Esta foto encontrei no Pinterest


Nas asas da imaginação, eu me elevo,

Alçando voo sobre oceanos e montanhas,

Como um pássaro curioso, sem limites,

Explorando os recantos secretos da Terra.


Sobrevoando cidades agitadas,

Vejo luzes cintilantes como estrelas urbanas,

Ruas estreitas e praças movimentadas,

Onde histórias se entrelaçam em cada esquina.


Acima das florestas exuberantes,

As copas das árvores dançam ao vento,

E os rios serpenteiam como veias da natureza,

Ligando vales e selvas em um abraço verde.


Nas alturas, acima das nuvens,

Encontro picos nevados e cumes majestosos,

Onde o silêncio é quebrado apenas pelo vento,

E a solidão é preenchida pela grandiosidade.


E quando desço suavemente sobre desertos vastos,

A areia dourada se estende até o horizonte,

E o sol escaldante pinta o cenário com tons quentes,

Enquanto o silêncio sussurra segredos antigos.


Ah, se eu tivesse asas para sobrevoar,

Seria um viajante incansável, um sonhador,

Explorando cada maravilha escondida,

Com os olhos abertos para o mundo inteiro.


Mas, por enquanto, deixo minha mente voar,

E nas asas da poesia, alcanço esses lugares,

Para que todos possam sonhar e se perder,

Em um mundo vasto e cheio de possibilidades.


Edith

 

Reflexoes sobre gerações, religiões e outros que podem  vir à minha memória no decorrer do texto

 

Tenho visto nas redes sociais fotos alegres postadas, do dia dos avós.  Árvores Genealógicas, discussões saudáveis sobre ancestralidade, etc.  Isto me fez voltar ao tempo e a perguntar-me o que mudou?
Filhos nascidos a 60 anos respeitavam mais? Menos? Medo? Respeito? Falhamos como filhos e com nossos filhos?

Não tenho esta resposta, porém sinto que a geração 20 – 40 anos, acabaram por enfrentar desafios significativos.  Cresceram com computadores pessoais, smartphones e acesso à internet, o que pode ter gerado expectativas elevadas sobre  futuro.

 No entanto, muitos de gerações passadas enfrentaram recessões econômicas, demissões em massa e estagnação salarial e  essa desconexão entre expectativa e realidade pode explicar por que alguns destes veem como “fracassados” os mais novos e estes mais novos, muitas vezes  critica os mais velhos também. Parece confuso, porém para se descobrir talvez é preciso esvaziar a mente, porque é  importante lembrar que a culpa não é exclusivamente de nenhuma geração; a economia desempenhou um papel significativo. Além disso, a busca constante por estímulos e a pressão por sucesso podem ter impactado até a  saúde mental. Em resumo, se os mais velhos enfrentaram desafios únicos e não devemos generalizar ou culpá-los por tudo, outras gerações  têm suas próprias lutas e realizações.

Então o que  podemos aprender com as lutas destas diferentes gerações, é que  cada geração enfrenta desafios específicos, como guerras, crises econômicas ou avanços tecnológicos. A capacidade de se adaptar e superar essas dificuldades é fundamental. A geração mais velha pode ensinar a perseverança, enquanto os mais jovens mostram flexibilidade diante das mudanças.

A visualização e o entendimento  são fundamentais à compreensão, mas como fazer estas diferentes gerações conversarem sem discussões e serem mais amáveis...

Bem, como se fala muito em Cuidados Paliativos (a mais nova disciplina obrigatória nos Cursos de Medicina), pode ser que promover a compreensão e a empatia (empatia que leve à Compaixão),  entre diferentes gerações é fundamental para um diálogo saudável.

Se ambas gerações se esforçarem para ouvir com atenção, aliás até mesmo entre as próprias gerações,  evitando interromper e realmente entender o ponto de vista do outro, reconhecendo que cada geração tem experiências e perspectivas diferentes é essencial. Respeitar as opiniões e valores uns dos outros, e aqui em qualquer nível, hierarquia, religioso, politico,  etc, pode dar certo.

 

Talvez se lembrarmos da compaixão, amor e igualdade ensinado pelo  maior  Mestre, que não julgou, que nada perguntou, só acreditou e amou,

-  que sabia que Pedro era impulsivo,

-  que o irmão de Pedro, André, tão discreto, porém considerado o conector,

- Tiago muito tímido,

-  João amado por todos,

- Filipe , pragmático e às vezes Cético,

- Natanael, muito sincero,

- Mateus que cobrava impostos,

-  Tiago, filho de Zebedeu, inoportuno

- Tomé, também cético

- Tadeu – de poucas palavras

- Simão, o Zelote, visto como rebelde

- Judas – o que veio a trair

- Madalena – que não merecia respeito por muitos

- a mulher que sangrava e a filha de Jairo (sem nomes)

- os leprosos....

Ninguém desentenderia, padres, bispos, arcebispos, pastores, Budistas, Xamã (indígenas), Rabino (judaísmo) etc etc, as classes sociais, diferentes gerações... Mas acho que estamos longe destes entendimentos. Exemplos temos muitos, mas não paramos para pensar, para refletir.

Saindo um pouquinho da fé religiosa, e voltando  a mulher mãe, esposa, filha, profissional, porque lembrei do livro “Mulheres que Correm com os Lobos”, (excelente!) escrito por Clarissa Pinkola Estés que explora a natureza selvagem feminina onde argumenta que todas as mulheres possuem uma essência instintiva e selvagem e muitas vezes reprimida pela sociedade, devemos nós reconectarmos  a essa natureza interior, permitindo que nos tornemos mais autênticas e realizadas em nossas vidas,  através de histórias, mitos e análises da nossa psique feminina, e nos convida  a questionar padrões, a acessarem nossa intuição e a abraçarem nossa força interior. O nosso arquétipo, a nossa ancestralidade.

Será que estamos perdendo nossas raízes? Estaremos sem tempo para meditar toda a essência da nossa vida?  

Saudade daquela frase da minha mãe: você vai entender quando for mãe... às vezes ao ver algumas insanidades, creio que minha mãe mudaria esta frase...

 

 

Mas conseguiremos largar os celulares para estas conversas necessárias?

domingo, 20 de novembro de 2022

Durante Feliz

 Durante Feliz


Ouvi esta pequena frase aparentemente óbvia, só que não, quando ouvimos com propriedade, acabamos por deixar ir entrando, enraizando em nós este caminho. 

Tenho aprendido muito nestes últimos 08 anos. Acho que uma dor profunda, sem cura, poderia ser suavizada SERVINDO. Então continuei aprendendo que para servir seria preciso estudar, estudar muito e aliar à vivência do dia a dia. E é o que faço. Vou trançando minhas linhas sem receitas, desmanchando meus nós ou acrescentando novos pontos a novos aprendizados.

Aprendemos até nosso último suspiro, já não tenho mais dúvida.

E o Durante Feliz é preciso ter consciência do que está vivendo, é ter fé acreditando que tudo está certo. E para esta consciência é preciso que a Espiritualidade, o Psicológico, o Emocional estejam em sintonia. Não me canso de tropeçar e recomeçar em busca deste tripé.

O Psicológico e o Emocional, pelo menos para mim, ainda está sujeito aos ventos que me tocam, daqueles que me são caros. 

No mundo novo que se apresenta que é a solidão enganosa das telinhas, às vezes nos deixamos levar pela pressa e/ou ansiedade, e esquecemos de perguntar como vai, posso ajudar, etc. É a inexistência da gentileza, do cuidado e tantos outros atos solidários.

Quantas vezes planejamos o que fazer na velhice, pensando assim ser feliz lá, porque isso? Se temos a obrigação de estar bem hoje e até mesmo durante este exato milésimo de segundo...

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Precisamos falar sobre a morte


 Os profissionais da saúde  interagem com o processo de morte e morrer na sua atividade profissional, num contexto sócio-histórico negando a morte e assim a maioria ainda se detém  nos aspectos teórico-técnicos. Talvez porque não tiveram uma formação acadêmica onde claramente se vislumbre que a morte está inserida e faz parte do nosso cotidiano.

A importância que nós ocidentais temos, urgentemente de encarar o tema já é claro para boa parte de equipes técnicas do nosso país. Tratar o tema, sem nenhum tabu evitará sofrimento na velhice e em pacientes de doenças graves, porém todos, em qualquer idade podemos morrer, uma vez que não somos imortais. 

Devemos nos preparar, pois assim teremos uma vida mais digna e aproveitar desta existência da melhor forma possível.  A única certeza da morte é a vida!

Porque ainda, a grande maioria diz "não estou preparado para a morte"; porque preparamos tanto para o nascimento com cartazes de bem vindo, festas para tudo e não preparamos para a morte? É certo deixar para a família todas as decisões a serem tomadas? Gostaria de ser cremado? Gostaria de ser intubado, mesmo que isso  te prolongue apenas alguns dias? O que você gostaria que fosse feito na sua finitude? Em caso de estar apto, gostaria que seus órgãos fossem doados?

  Estas decisões cabem a cada individuo e nunca a um familiar que já vai estar abalado com sua perda. Tudo se torna mais sereno quando se sabe o que e como fazer. 

Voê sabia que já existe um documento chamado Testamento Vital? Tome conhecimento. Pesquise! 

Esta ausência de informações pode criar embates desnecessários em um momento que teria de ser calmo, pois os que ficam já vão ter que trabalhar com o luto.

Existem no Brasil muitos médicos que lutam para esta conscientização. E ainda livros que devem ser lidos e que te ajudarão a encarar o tabu da morte e você acabará por descobrir que como ela é inevitável, ela pode ser em paz, e na forma que você escolher.

Sobre este momento, temos que nos lembrar que antes da morte poderá vir uma doença grave. E um simples texto não explicaria todo o contexto, porque tanto da parte do cuidador como de quem esta sendo cuidado, é preciso: empatia, compaixão, reconhecimento, disposição, perdão,  disponibilidade, saber que o paciente estará sempre em um nível superior a nós.. e é no olhar que ele reconhecerá tudo isso, também com muita escuta e com muita presença.

É preciso reconhecer toda a dimensão espiritual do momento, respeitando o sagrado de cada um.

Todas as etapas são importantíssimas tanto para quem esta morrendo quanto para quem enfrentará o processo de luto.

É um pequeno texto para iniciar, alertar para a importância do tema.

Livros: para iniciar

A morte é um dia que vale a pena viver - Ana Claudia Quintana Arantes, (Esta médica/escritora para mim é a maior autoridade que temos hoje no Brasil)

Enquanto eu respirar - Ana Michelle Soares

A roda da vida - Elisabeth Kubler-Ross

Pessoas para seguir

Sem dúvida alguma, as duas escritoras acima

Tom Almeida

Odenício de Melo

...

Uma infinidade de palestras e grupos sobre o assunto estão disponiveis na internete.

O intuito aqui é colaborar com aqueles que ainda não pensaram no assunto.

RUBEM ALVES

A morte e o silêncio


Somente os tolos tentam consolar. Eles não sabem que as palavras de consolo são ofensas à dor da pessoa


Nos breves intervalos em que a chuva parava de cair e os raios de sol se infiltravam pelas nuvens, o arco-íris aparecia fazendo os homens se lembrar da promessa que Deus fizera depois do dilúvio: ele nunca mais permitiria que as águas destruíssem a vida. Mas parece que ele se esquecera. A chuva caia sem parar alagando campos, inundando cidades, derrubando casas, matando gente e bichos.

Ele era um menino de 14 anos, feliz, que gostava de viver. Filho único, morava em Floripa. Como todos os meninos e meninas, ele deveria ir à escola naquele dia, porque a chuva não estava tão forte assim. E andar na chuva é uma arte que dá alegria às crianças.
Chegou a hora do recreio, tempo livre para brincar. A chuva voltou a cair mais forte, com raios e trovões. Havia um lugar abrigado da chuva, uma marquise, construída fazia três semanas. Era uma cobertura de cimento, planejada por engenheiros que sabiam o que estavam fazendo. Sólida. Ele se abrigou sob a marquise para ver a chuva. Mas a marquise, ignorando ferro e cimento, caiu sobre ele, esmagando-o. Agora, no seu lugar, resta uma dor que nenhuma palavra pode conter.
A morte faz calar as palavras. São inúteis. Servem para nada. Somente os tolos tentam consolar. Eles não sabem que as palavras de consolo, brotadas das mais puras intenções, são ofensas à dor da pessoa golpeada pela morte. Porque elas, as palavras de consolo, são ditas no pressuposto de que elas têm poder para diminuir o vazio que a morte deixou. Como se a pessoa que a morte levou não fosse tão importante assim e algumas palavras pudessem diminuir a dor que sua morte deixou.
Mas não há palavra ou poema que possa com as únicas palavras que a morte deixa escritas: "Nunca mais". Nada existe de mais definitivo e mais doloroso que esse "nunca mais...

Bem fizeram os amigos de Jó que o visitaram com o intuito de consolá-lo na sua desgraça. O texto bíblico descreve o que aconteceu:
"Quando eles, de longe, o viram, eles não o reconheceram; e eles levantaram suas vozes e choraram. E eles se assentaram com ele no chão durante sete dias e sete noites, e nenhum deles lhe disse uma palavra sequer, porque eles viram que o seu sofrimento era muito grande" (Job 2.13 ).
Todos os amigos querem diminuir o sofrimento da mãe. Cercam-na com palavras que, pensam eles, trarão algum consolo. Mas que palavra ou poema poderá substituir o seu filho? E a chamam ao telefone para dizer-lhe suas palavras doces e cheias das intenções mais puras. Mas a pureza das intenções não garante a sua sabedoria. E aí, à dor da morte do filho, acrescenta-se uma a outra dor: a mãe é obrigada a ouvir os consoladores delicada e pacientemente, com sorrisos de agradecimento... Mas são tantos os consoladores e eles cansam tanto...
Gestos de consolo, lembro-me de um que me comoveu. Eu vivia em Nova York com a minha família. Aí o pai da minha esposa foi morto num acidente, no Brasil. Ao abrir a porta do apartamento, no chão estava um buquê de flores. Aquele que o trouxera se retirara em silêncio. Não tocara a campainha. Mas deixara um bilhete onde estava escrito: "Não quis perturbar a sua dor..."



segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Escolhas na "última idade"

O Brasil tem 3.200.000 idosos que precisam ser cuidados em suas necessidades básicas,  e destes 100.000 estão em casas de repouso (dados de 2010!). Isto significa que 3.100.000 estão sendo cuidados por familiares.
Porém  a realidade das famílias  tem mudado a cada ano para uma independência quase que total.
Hoje com vários casamentos, quem tem muitas sogras acabam por não cuidar de nenhuma mas acontece que 40% delas só tiveram filhos homens, e estes tem ainda em muitos, enraizados que quem cuida são  mulheres... pois é, pasmem,   é uma realidade e ela tem que ser mudada urgentemente e em alguns casos a mudança é  radical e sofrida.
Outro fator é  que nem todo ser humano nasce para cuidar, uns o fazem espontaneamente outros sofrem, se sentem sobrecarregados  porque não têm  edta aptidão.  Nesta hora é  preciso muita leitura,  cursos, resignação  e fé.  Afinal nossos pais nos ensinaram tudo, a falar, escovar  os dentes, andar,  esportes etc etc  e o que vemos são adultos que se irritam em repetir uma única fala.
Em contra partida as famílias  juntamente com o idoso (se ele ainda tem condição de opinar) ver o que é  melhor para ele.
A solidão  mata muitos deles.
Se a família toda trabalha é  melhor que este  fique num centro p idoso pois terá com quem conversar, jogar,  rir e dançar,  mas é  claro  que existem muitos idosos que não querem isto.
Comecei a escrever isto quando li o número de idosos que dependem de tudo do outro, mas quantos mais estão  sem nenhum problema mas a mercê  de uma solidão  que nem sempre é  o desejo  das famílias.
O que eu sei é: quando EU NÃO mais  puder fazer o mínimo necessário no meu próprio ninho, não tenham dúvida estarei pronta para dividir algumas conversas  com alguém  em algum centro para idoso.   É  isso que quero do fundo do meu coração.

sábado, 1 de dezembro de 2018

Risos e Prantos

Risos,
Prantos, angustia 
que antecede
o riso.
Grande teatro
de nós mesmos.
Na oposição do riso,
a reflexão
das relações,
todas elas,
que assim são chamadas.
Morte/luta/vida,
Contraste de luzes,
Claro/escuro
Noite/dia.
Luta diária.
Melhor seria, se sempre,
o riso risse do pranto!