Dizer para alguém "seguir em frente" é, muitas
vezes, uma tentativa de silenciar uma dor que o outro não sabe como acolher. já
sigo — na academia, nos livros, no voluntariado. O que as pessoas não entendem
é que a saudade não é um obstáculo no caminho, é parte do próprio caminhante.
Vou explicar melhor: - O Peso do Seguir às vezes tem que se
transformar em um Manifesto sobre a Dor
e o Tempo e quem sabe assim assimilarem, respeitarem o outro.
Eu sigo. Mas não como vocês pensam.
Eu sigo todos os dias. Meus pés caminham na academia, meus
olhos percorrem páginas de livros, minhas mãos estendem ajuda em trabalhos
voluntários. Se isso não é seguir, o que seria? O que as pessoas chamam de
"superação", eu chamo de sobrevivência consciente. Eu sigo com um
pedaço a menos, arrancado há onze anos, quando a ordem natural das coisas se
inverteu e precisei devolver uma filha.
O tempo é um mestre cruel e confuso.
Hoje, olho para um vídeo de um recital e vejo três meninas ao
teclado — dez e oito anos. Faço as contas com a pressa de quem tenta segurar a
areia que escorre entre os dedos. Minhas filhas já têm 40 anos, e a sensação de
que a maternidade passou num sopro me aperta o peito. Parece que foi ontem, mas
o calendário é implacável.
Existem muitos lutos, e o mundo é surdo para a maioria deles.
É o luto do rompimento familiar que deixa a mesa vazia.
É o luto da autonomia perdida, de quando o corpo deixa de ser
um aliado e passa a ser um limite.
É o luto do paladar, quando uma sonda substitui o prazer de
uma refeição.
É o luto da visão que embaça e da mobilidade que se esvai.
Para quem olha de fora, são apenas ajustes de rotina. Para
quem vive, é a perda de si mesmo em fatias.
Não me peçam para esquecer ou para "deixar passar".
A introspecção do final de ano não é um erro de percurso; é o
momento em que minha alma para para
contar os danos e as belezas que sobraram. Minha família é pequena, mas meu
amor é vasto e minha memória é viva.
Eu sigo, sim. Mas sigo com o direito de sentir saudades. Sigo
com o direito de dizer que dói. Sigo sabendo que a maternidade, em todas as
suas formas e ausências, é a marca mais profunda que carrego.
Não me peça para seguir em frente. Apenas caminhe ao meu
lado, respeitando o peso que eu carrego e a força que eu tenho para, mesmo
assim, não parar.








Oi Maria Edith,
ResponderExcluirMeu nome é Verena, tenho 37 anos e moro em Bauru/SP. Encontrei seu blog em uma busca pelo Google e suas palavras tocaram profundamente meu coração.
Estou me organizando e me planejando para fundar uma ONG voltada aos cuidados paliativos e ao acolhimento no luto, em homenagem à minha tia, que faleceu de câncer no dia 4 de novembro de 2025. Esse projeto se chama LAR PALIATIVO. Caso queira conhecer, o Instagram é @larpaliativo e o blog é larpaliativo.blogspot.com.
Escrevo para saber se seria possível conhecê-la, ouvi-la e conversar, na intenção de aprender com sua experiência. Tudo o que você compartilhar comigo, eu gostaria de levar adiante para beneficiar outras pessoas que vivem momentos de dor e fragilidade.
Atualmente, estou estudando para me tornar doula da morte, pois acredito que quanto mais eu escutar pessoas que atravessam o luto, mais recursos terei para acolher quem precisa. Também realizo trabalho voluntário em capelania hospitalar na minha cidade, acompanhando pacientes em terminalidade e seus familiares. Cada aprendizado que recebo dessas vivências transformo em textos e conteúdos para o Instagram e para o blog do projeto.
Meu maior propósito é deixar essa ONG como legado, porque durante o processo de doença da minha tia houve inúmeras falhas profissionais — tanto no cuidado com ela quanto no acolhimento de seus filhos. Faltaram orientação, presença e um cuidado paliativo verdadeiro. Por isso, criei o LAR PALIATIVO: para que outras famílias encontrem a luz e o apoio que nós não tivemos, simplesmente por não sabermos onde buscar.
Se desejar, meu WhatsApp é (14) 9 9772-5600.
Com carinho e gratidão,
Verena
Oi Verena. Estava olhando seu instagram. Muito bom. Cuidados Paliativos é a minha paixao. Amo as Comunidades Compassivas. Estarei aqui para voce trocando experiencias.
ExcluirMeu interesse começou aqui: https://mariaedithrufino.blogspot.com/2014/03/painel-fotografico-sobrevivendo-um.html?m=0
ResponderExcluirEm 2014
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